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Carnaval

Você sabe que é Carnaval, ou que pelo menos está perto da festa, quando a três dias do sábado de Zé Pereira seu chefe só vai trabalhar com uma camisa florida e um colar havaiano, lilás, pendurado no pescoço. Ou então quando todos os seus contatos do MSN ostentam nicks do tipo "Ô abre alas que eu quero passar" ou "A pipa do vovô não sobe mais". Invariavelmente, metade desses contatos sairá mais cedo para encher a cara em alguma prévia carnavalesca ou em um bloco de nome estranho.

Você sabe que é Carnaval quando encontra na manhã do sábado de Zé Pereira aquele seu vizinho sisudo, advogado, casado e pai de três filhos, descendo no elevador vestido de capitão gay, num modelito apertado e rosa. Ou então, quando se depara com o seu vizinho corretor de imóveis, sim, aquele que usa óculos de grau, camisa por dentro da calça e cinto combinando com sapato, trajado de Bin Laden. Certamente, a mão esquerda dele estará ocupada com uma cerveja e a direita irá segurar uma placa com os dizeres "Eu quero é gréia".

Você sabe que é Carnaval quando Beto Carrero morre e a notícia mal ocupa espaço nos jornais, rádios e TVs. Afinal, a atenção das pessoas está voltada apenas para os quatro cantos de Olinda, Recife, Salvador, Rio de Janeiro ou qualquer outro lugar que tenha uma mulata rebolando e uma cuíca sendo estapeada por alguém capaz de tirar som de uma mísera caixa de fósforo. Nessas horas, você se lembrará, com um certo pesar, de que a única batucada que sabe acompanhar, e ainda assim muito mal, é a música "A la ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro".

De tanto deixarem claro que é Carnaval, você se irrita e resolve ir pra Olinda. Aí, além de saber que é Carnaval, você se conscientiza que está ficando velho porque as pernas já não acompanham com agilidade o subir-e-descer ladeiras da Cidade Alta. Depois de parar de 10 em 10 minutos e beber todo líquido possível, vem a procura pelo lugar mais à sombra e com menos gente. Entre uma troça e outra, baterão saudades do tempo em que acompanhar exatos 22 blocos e cantar o hino do clube Vassourinhas exatas 147 vezes em um só dia era tão simples como respirar.

Você sabe que é Carnaval e que está ficando velho quando vê um grupo de ninfetas cercando um rapaz para beijá-lo à força, quando no passado era o contrário que ocorria. Entre as meninas, todas com metade do mamilo do peito de fora, você reconhecerá a filha caçula da melhor amiga de sua mãe. Aquela que quando você era adolescente tinha apenas idade e pensamento para brincar de boneca. Não se surpreenda se o irmão gêmeo dela, que só queria saber dos comandos em ação quando você já aprontava na vida, estiver na próxima esquina. Com a turma do jiu-jistsu e um bíceps da largura do seu pescoço.

Você sabe que é Carnaval e que está ficando velho quando cai menos na gandaia e fica na empresa escrevendo um texto horrível que ninguém vai ler. Melhor fechar o word, passar no supermercado, fazer a feira etílica, tomar coragem e comprar uma fantasia que esconda a barriga.

O texto era pra ser postado durante o carnaval, mas o computador e a internet estavam de ressaca de um baile à fantasia.

Escrito por f.benites às 15h09
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