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Dez anos

Dia desses eu estava vendo uma cena da novela das 6h da Globo, a Paraíso. Era um diálogo entre um coronel e um matador de aluguel chamado Zé das Mortes. Me surpreendi ao ver que o assassino era interpretado pelo pernambucano Aramis Trindade. Quando eu era 2º ano, me lembro de um dia em que ele foi a minha sala fazer a propaganda de uma peça teatral. Não recordo se era isso mesmo, mas lembro bem daquela figura magra que eu conhecia das propagandas da TV tentando falar em meio à algazarra da turma.

Em uma das salas ao lado, também do 2º ano, certamente havia um aluno chamado Guilherme Berenguer, que era de outra turma do Colégio Especial. Eu conheci Guilherme através de outros amigos em comum e de vez em quando conversávamos no intervalo das aulas. Nos papos, só abobrinha. Ele, que não sonhava em ser ator, pelo menos até onde eu sei, hoje está na mesma novela e é um dos personagens em destaque da trama. Aliás, em termos de fama global é bem mais conhecido que Aramis.

Esta introdução toda não é para analisar qual dos dois é melhor ator. É que recentemente estive refletindo sobre a minha vida de dez anos atrás e no que vem pela frente nos próximos dez. Impossível não lembrar daquelas pessoas que cruzaram o meu caminho há uma década. Tem gente que pouco evoluiu, mal saiu do lugar e até mesmo involuiu. Guilherme, ao contrário, representa o outro lado da moeda. Mora no Rio de Janeiro, convive com gente famosa (é um deles), com mulheres lindas, está na TV e ganha bem. De alguma maneira, ele colocou em prática o que Lulu Santos cantava...

Garota eu vou prá Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star...

Eu não virei artista e não me frustro, até mesmo porque isso nunca foi minha pretensão. Acho até que conquistei muito mais do que, em teoria, deveria ter alcançado. Em 1999, quando entrei na universidade, uma das minhas maiores preocupações era se teria dinheiro para chegar ao fim do curso. A faculdade era pública, mas o medo de faltar grana para o lanche, para o ônibus e para as xerox me assustava. Hoje, tenho três cursos na bagagem, carro (velho, é verdade) e sou reconhecido pela minha capacidade intelectual.

Porém, apesar dos avanços e de concordar que fui além do que uma pessoa de origem humilde consegue atingir, tenho a sensação de que poderia ter crescido mais. Aos 18 anos, projetava meus dez anos seguintes num molde que reunia apartamento próprio, emprego numa revista de grande circulação, carro do ano, dinheiro em caixa, mestrado na Espanha e disponibilidade para viajar pelos quatro cantos (às vezes os clichês são necessários, já me disse um professor universitário) do mundo e do Brasil.

A década passou e as conquistas vieram. Não dentro do mundo perfeito que minha juventude criou, mas o tempo está aí e os próximos dez anos vão chegar logo. Não faço mais questão de trabalhar em uma revista de circulação nacional. O mestrado pode ser feito por aqui mesmo e a Espanha me servirá tan solamente como destino turístico. Sonhos como filhos e tempo para curti-los são bem mais presentes do que querer ter um carro 0 km.

Eu vou correr. Aliás, já estou correndo, afinal aquilo que me aguarda daqui a dez anos é fruto do que faço hoje, do que produzi ontem e do que penso em colocar em prática amanhã. E desta vez, eu quero chegar mais perto do alvo, olhar para trás e ver que assinalei mais itens verdadeiros do que falsos no meu provão pessoal de conquistas.



Escrito por f.benites às 22h40
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