Pele e Osso com Recheio
   
 



BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
 

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Quatro crianças felizes

Quanto custa realizar um sonho de infância? Para mim, saiu mais ou menos por R$ 55. Foram R$ 35 de um ingresso, R$ 20 de alimentação, alguns trocados a mais e o estrago estava feito: fui ao Arruda ver o jogo da Seleção Brasileira. O jogo começou às 21h50, mas cheguei absurdamente cedo ao estádio – pouco mais de 19h. Tudo para pegar um lugar bacana, afinal, realizar um sonho tem que beirar a perfeição.

Como jornalista e crítico, tenho a obrigação de dizer que o futebol apresentado não foi dos melhores. Como jornalista e recifense, reconheço que é preciso evoluir muito para chegar ao nível de ter uma cidade com condições de receber a Copa do Mundo e milhares de turistas estrangeiros. Como torcedor-acha-que-entende-tudo-de-futebol, devo dizer que xinguei Elano até não poder mais e me emburrei com algumas jogadas.

Mas todos esses “eu” perderam espaço ontem para uma criança. Sim, porque eu parecia um menino pequeno. Na hora do Hino, gritei a plenos pulmões. Me dispersei várias vezes só para olhar pro restante da torcida, como se não acreditasse que estava ali. E na hora do jogo fiz bons amigos. Nenhum torcedor do Náutico ou algum entendido de futebol. Mas minha maior interação foi justamente com três guris, entre sete e dez anos.

Difícil saber dos quatro quem estava mais animado. Quando o jogo acabou, fiquei pensando na emoção dos três irmãos voltando para casa. Na alegria de ver os craques como Kaká, Pato e Robinho de perto. Certamente, o desejo de ser jogador de futebol cresceu em cada um deles. Talvez, tenham pedido aos pais para se matricularem na escolinha de futebol mais próxima de casa. Ou chegaram ao colégio com mil histórias para contar.

Desde que me entendo por gente, a Seleção passou pelo Recife três vezes. Em 1993, contra a Bolívia pelas eliminatórias da Copa dos Estados Unidos. Em 1994, contra a Argentina e 1995 contra a Iugoslávia, salvo engano. O máximo que minhas condições financeiras permitiram foi assistir ao treino em 93, com Romário, Bebeto e Cia. em campo. Lembro de amigos e primos que foram, acompanhados dos pais ou tios.

Eu só ouvia as histórias. Com um misto de inveja e de alegria. Sabendo que era um sonho distante, já me contentava em saber que a Seleção estava na cidade. Já ficava feliz por ter assistido ao treino. Porém, nesse dia 10 de junho, acertei as contas com o passado. Com direito a cantar hino, vibrar com gols, gritar olé e vestir a camisa verde e amarela.

Esqueci que a CBF é repleta de politicagem e de desmandos. Apenas voltei no tempo e ampliei o repertório de histórias para contar aos netos. E, durante 90 minutos, fiz três novos amigos. Saímos do estádio felizes e intensamente crianças.



Escrito por f.benites às 20h19
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