Pele e Osso com Recheio
   
 



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Jesus voltou

Que figura estranha é o namorado/amigo de Madonna. Desde que o modelo surgiu para a mídia não vi nenhuma declaração dele. Quer dizer, já vi frases "aspeadas" soltas em alguns textos de revistas e sites. Mas até agora não assisti a um vídeo com ele falando. Fico na dúvida se o cara é humano mesmo ou se não é um andróide ou um extra-terrestre, programado para desfilar, sorrir pouco, andar na praia e pegar a ponte área RJ/EUA.

Já tinha minhas dúvidas se figuras como Michael Jackson e Madonna - só para ficar no nível internacional - eram gente de verdade, de carne, osso, sangue, suor e lágrimas. No filme Men in Black tem uma cena que sugere que Michael Jackson na verdade é um extra-terrestre. Será verdade? Não sei. Mas quanto a esse Jesus Luz fico com o pé atrás. Deve ser de algum planeta invasor, cujas prentensões são se apossar dos recursos naturais e das principais passarelas terráqueas.

Se ele não for um ET, deve ser no mínimo uma criação científica desenvolvida em algum laboratório hi-tech da USP ou do MIT - Massachusetts Institute of Technology. Um robô moldado à perfeição humana, mas com um chip limitado para a interação social e com defeito no dispositivo de habilidades vocais. Quem pagou pelo projeto talvez tenha exigido que fosse assim. Ou não conseguiu esperar até que o protótipo fosse totalmente concluído.

Só isso pode explicar porque Jesus Luz não fala e não dá entrevistas. Talvez o Fantástico já tenha conseguido "pescar" alguma declaração. Aquela danadinha da Patrícia Poeta era bem capaz de conseguir esse feito, deixando Zeca Camargo bege de inveja, ciúmes e despeito. Mas, como não assisti a algo semelhante, ainda fico com a opção de que o cara não é deste planeta.

Certeza mesmo só a de que os evangélicos que pintavam os muros lá perto de casa estavam certos. Jesus vai voltar. Aliás, já voltou. Mais fashion, porém mudo e calado. E ainda dizem que o papa é pop...



Escrito por f.benites às 16h50
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A ver estrelas

Quando era criança, eu tinha uma ritual com a minha avó, dona Vanda. À noite, íamos para a calçada e ficávamos juntos. Ela em uma cadeira e eu em outra. Ela contando histórias, eu ouvindo. Muitas vezes, esses momentos eram rompidos com a chegada das outras crianças da rua, que me chamavam para brincar. Mas, enquanto eu estava do lado dela, gostava de me inclinar sobre o seu corpo para poder ver o céu. Ela dizia que um dia eu iria crescer, começaria a namorar e me esqueceria dela e daqueles momentos. Nessas horas, me dava um aperto no peito e, no meu íntimo, sem deixar transparecer tristeza, tudo o que eu desejava era não crescer.

Mesmo com a pouca idade, eu tinha consciência de que um dia a mais na minha vida, era uma dia a menos na de minha avó. E esse medo do perdê-la me paralisava. Eu me perguntava onde e quando se daria esse momento de despedida. Vejam só, uma criança de cinco ou seis anos filosofando sobre esse tipo de coisa. Mas, a meu modo, eu conseguia filosofar. E se não ia além nos meus pensamentos não era só por conta da idade. Era por medo. Quando os pensamentos começavam a ficar mais assustadores, eu pedia para minha avó contar uma história ou pulava direto para perto dos meus colegas e ia esquecer o assunto em rodadas de polícia e ladrão ou pique-esconde.

Cresci, mas sempre que dona Vanda ficava doente, aqueles momentos ao lado dela e as perguntas que eu mesmo me fazia e não sabia responder voltavam à tona. Quando a situação se normalizava, eu só agradecia por não ter encontrado a resposta daquela vez. Com o passar dos anos, consegui controlar a ansiedade e os fantasmas que me assombravam. E olhava para o céu e me sentia feliz por que aos meus 10, 14, 18, 21 ou 25 anos eu podia repetir o gesto de olhar para as estrelas sem dor. Apesar de não estar no colo da minha avó, eu sabia que ela estava por perto. Ora ao alcance de um abraço, ora de um telefonema.

Porém, ontem, 14 de junho, às 9h15, aos 29 anos, eu tive a resposta para a pergunta que tanto me afligia quando criança. E apesar da dor e da tristeza, eu me sinto abençoado porque tive muito mais tempo ao lado de minha avó do que supunha que teria aos cinco anos. Nesse tempo todo de convivência, de nossa parte, houve brigas e desencontros, mas existiu carinho, afeto e amor numa escala infinitamente maior. Nos alternamos inúmeras vezes nos postos de quem cuida e de quem é cuidado. E tudo o que desejo é que tenha feito a minha parte bem para corresponder ao que ela me deu.

É lugar-comum desejar voltar no tempo para que a gente possa se doar mais, receber mais. Me sinto tentado a isso. A voltar no tempo para um abraço a mais, uma conversa a mais, para que dona Vanda pudesse ver mais algumas de minhas realizações pessoais e profissionais. Contudo, sei que restarão carinhos e palavras a fazer e a dizer mesmo com todo o tempo do mundo. Então, eu só quero agradecer. Pelo colo, pela companhia, pelas mesadas, pelos puxões de orelha e pelos pedidos diários de proteção.

Quero agradecer pelos momentos em que minha avó me comprou um picolé mesmo quando a ordem materna é que não tomasse nada gelado por conta da gripe. Nessas ocasiões, ela aconselhava o meu refúgio na esquina para que minha mãe não me visse. Quero agradecer, também, pelo auxílio financeiro inesperado que ela me dava quando acertava no jogo do bicho. Esse era o vício de dona Vanda. E todo dia ela dizia que não tinha acertado a milhar, centena ou dezena por pouco.

Em 2007, depois que três ladrões armados roubaram meu Fiat Uno, foram raras as vezes em que minha avó me encontrou e não me perguntou como estava o carro. Ela sabia o quanto dei duro para comprá-lo e o alívio que senti quando o encontrei. E me fazia a mesma pergunta como se para me agradar ou para ter certeza que o neto dela não havia passado por violência semelhante novamente. Enquanto teve saúde para andar, fez questão de ir até o portão ou janela só para me ver entrando no carro e me mandar um último beijo.

Em maio, no meu último aniversário, ela ligou e não conseguiu falar nada. Só chorou. Talvez soubesse que as respostas para minhas perguntas infantis estivessem próximas. Talvez fosse apenas saudades do tempo em que podia me colocar no colo para que pudéssemos ver o céu juntos. Sei que a sua vontade era de me dizer o que sempre dizia: "Estou rezando para que você possa conseguir tudo aquilo que você quer". Pois, minha avó, saiba que eu nunca quis tanto. E agora a única coisa que peço é que a senhora esteja bem.



Escrito por f.benites às 21h22
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