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Medo do medo que dá

Hoje, eu quero falar sobre medos. Os meus medos. Não todos, claro. Nem eu mesmo saberia dizer com exatidão a lista completa do que me assusta. Assim, de cabeça, tenho apenas alguns medos a relatar. Uns bestinhas, que não passam de assombrações bobas de tão improváveis que são de acontecer, e outros reais. Esses medos realistas sim me dão pânico. Tive essa idéia súbita de enveredar pelo caminho medonho hoje de manhã.

Tenho me esforçado para me acordar cedo e ir à academia. Sempre que o fôlego e as pernas deixam, volto correndo para casa. Mas nesta terça-feira interrompi o meu cooper matinal por causa de um cachorro. Não era um lobo disfarçado de pitbull ou de doberman. Era apenas um vira-lata. Mas, ainda assim, achei prudente parar a corrida e seguir num ritmo que não chamasse a atenção do totó.

Ao chegar em casa, me dei conta do vexame. Ainda bem que era cedinho e não tinha gente na rua para presenciar o mico de me ver parar uma corrida por conta de um cachorro sarnento e simpático. Ele, coitado, estava alheio à minha presença e parecia mais interessado em encontrar algo para comer. Mas só de ver aquela figura de quatro patas um pouco à frente me bateu uma nóia. E se ele resolvesse avançar em mim?

Pronto, é isso. Agora é público e oficial. Tenho medo de cachorro, com exceção de poucas raças. Dou a quem ler este blog o direito de tirar onda com a minha cara por conta disso. Antes, era um privilégio apenas das pessoas mais próximas. O meu primo Márcio talvez seja quem mais se diverte às minhas custas. Se eu e um cachorro grande e assustador (e olhe que nem precisa tanto) estivermos num mesmo espaço é garantia de risada certa dele.

Em 2005, fui ao Rio de Janeiro visitar a parte carioca da família. Lembro que quando meu pai e eu entramos com o carro na garagem da casa dele a primeira coisa que vi foi um pitbull. Foi o suficiente para não querer descer do carro até que o monstro estivesse preso. Sugeri acorrentá-lo, mas a idéia não colou. Antes de voltar ao Recife até tirei uma foto com Playboy (quer nome mais sugestivo para um pitbull carioca??). Eu de um lado, e ele do outro, atrás de um gradil que meu pai garantiu ser resistente.

Gostaria de me lembrar como esse medo de cachorro se desenvolveu. Porque, até onde me recordo, na infância não era assim. Lembro de algumas vezes que desafiei os cachorros dos vizinhos e levei umas carreiras. Pode ter começado por aí. Outra pista é o fato de ter ouvido a história de que quem é mordido por um cachorro tem que tomar injeção na barriga. Quando eu era criança, a lenda falava em trinta agulhadas. Acho que não é verdade e não estou muito a fim de descobrir.

Até porque injeção é outra coisa horripilante. Dei muitos escândalos para tirar sangue. E na época das vacinas então? Quando não era em gotas eu só ia ao posto de saúde porque tinha um maior de idade para me forçar. Esse medo tem explicação também. Lá pelos sete anos precisei tomar uma série de benzetacil, uma injeção mais forte que as outras. Foi um ano nesta brincadeira. Hoje, sou doador de sangue e confesso que na hora da agulhada nem sinto nada. Mas o medo persiste. Minha amiga Sil que o diga. Pedi para ela me acompanhar na minha primeira ida ao hemocentro porque achei que não seguraria a barra.

Outro medo da minha lista, e esse sim é o pior de todos, é o de perder as pessoas que amo. Não gosto nem de pensar nisso. Esse medo me paralisa tanto que o pensamento nem evolui. Também tenho medo de morrer. Antigamente, não tinha. Mas hoje...  Vai ver é porque quero estar próximo o máximo possível da namorada, dos amigos, da família. Seria muito ruim deixar as coisas mundanas para trás. Preciso evoluir e mudar este pensamento, praticar o desapego.

Um amigo de faculdade uma vez me disse que tinha medo de ser enterrado vivo. Esse temor eu nunca senti apesar de ter ficado com falta de ar ao ver a cena de Kill Bill em que Uma Thurman é presa num caixão. Também não tenho problemas com altura, um pavor que atinge a maior parte das pessoas. E filme de terror? Outro amigo meu fala até hoje do quanto ficou impressionado com o Exorcismo de Emily Rose. Eu tomo os sustos de praxe e assim que os créditos esqueço tudo.

Aliás, filmes de terror me assustam menos que alguns dramas e suspenses. Quando assisti a 21 Gramas saí do cinema arrasado. Se pudesse, reuniria todas as pessoas que amo na hora porque me veio um temor de perdê-las. A luz do pavorômentro também acendeu, em menor grau, quando assisti a Babel. Os dois filmes são do mesmo diretor, o mexicano Alejandro Gonzalez Inarritu, e me deixaram com a sensação de que – CLICHÊ – é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

Abaixo, seguem algumas coisas das quais tenho medo e outras que me deixaram de assustar. Não estão na ordem de importância e sei que daqui alguns anos essa lista será modificada, afinal, tudo se relativiza.

Medo de:

Doenças graves
Ficar numa cama de hospital ou depender da boa-vontade dos outros não dá. Esse medo se emenda a outro, que é o de hospital. E olhe que até o 2º ano queria fazer Medicina. Mas, definiticamente, hospital e eu não combinamos

Falta de grana
Pensar que não vou poder pagar as minhas contas é algo que tira meu sono. Desde que comecei a trabalhar não fiquei mais de um mês desempregado. Já passei por situações difíceis, mas sem emprego não. Conhecer esse lado da moeda me aterroriza.

Barata
Ok, ok. Essa história de dizer que era nojo não cola. Cá pra nós, é medo mesmo. De qualquer forma, se tiver que entrar numa batalha com uma ou várias delas eu compro a briga. Tenho um primo – e não vou dizer o nome para não sacanear – que chama a esposa ou quem tiver por perto. A esse nível não cheguei.

Violência
Quem não tem medo disso, né? Lembro dos bons tempos de adolescência em que voltava para casa de madrugada a pé. Hoje, não me arrisco. Como morador do Recife e pelos sustos que já passei, dou um desconto a esse meu medo.

Perdi o medo de:

Elevador
Odiava elevador. A imaginação fértil da infância pensava sempre que ele ia quebrar e que ficaria preso lá até alguém se lembrar e recolher a carcaça. Não tem fase melhor do que a adolescência para mostrar que o elevador pode ser usado a nosso favor.

Envelhecer
Aos 27 anos, queria parar o tempo. Para que ir além se tudo estava bom do jeito que estava. Vejo que chegar perto dos 30 não é bicho de sete cabeças e certamente entrar na casa dos “enta” não será problema. Brad Pitt, José Mayer e Fábio Júnior estão aí para me provar isso, comendo gente e fazendo menino.

Dizer não
Sabe aquela história de que bonzinho só se fode? O legal da maturidade é que você aprende a dizer não com menos ou nenhuma dor na consciência e escapa de algumas enrascadas. Às vezes, é preciso dizer não. Mesmo ganhando o título de malvado da história.



Escrito por f.benites às 22h40
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