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Pequena batalha infantil

Na família de Sheyla o que mais tem é criança. De todos os tamanhos, idades, birras, gênero e brinquedos. Assim, de cabeça, posso citar Mateus, Pedro Henrique, José Jonas, Luis Guilherme, Fernanda, Suzana e Laura. Esses são os pequenos que vejo com uma certa frequência, sem falar naqueles com quem não tenho muito contato. Tirando a parte dos que são bebês demais e ainda não têm noção do que é ir com a cara de alguém, me dou bem com todos eles. Ou melhor, com quase todos.

O primeiro a me aceitar como amigo e membro da família foi Mateus, 4 anos. O moleque é brabo, mal-criado e arredio com todos na família. Só aceita as ordens da avó e do pai. No começo, pra variar, não queria papo comigo e só não me mandava se lascar porque ainda sabia o significado disso. Hoje, é meu amigo. E não sou eu quem diz não. É ele. Toda vez que vou embora, ele despede de mim com um "tchau, meu amigo".

Outra que caiu nas graças, e fácil-fácil, foi Fernandinha, também 4 anos. Amor à primeira vista!!! Quando vou a Caruaru, onde ela mora, é um chamego só. É capaz de esquecer pai e mãe para ficar comigo. Sheyla já sabe que se o destino for Caruaru será um dia todo sem namorado, pois Fernandinha vai querer monopolizar toda a atenção, o que quer dizer conversar, conversanr, conversar e pular um pouco em cima de mim.

Pedro Henrique, José Jonas, Suzaninha e Luis Guilherme estão na categoria fralda e chupeta e ainda não esboçam qualquer tipo de simpatia/antipatia ao meu respeito. O humor é variável. Ás vezes, vêm pro colo. Noutras, choram e ficam de cara feia apenas com ao menor sinal de que vou tirá-los do braço de alguém. Quando estão meio azedos comigo, tento subornar acenando com a chave do carro ou os óculos escuros. Dá certo na maioria das vezes.

Da lista inicial, restou Laurinha, 4 anos. E foi justamente nela que pensei ao escrever este texto. Graças a ela que o primeiro parágrafo tem um "quase". Apegadíssima a Sheyla, preferia ver um prato recheado de verduras ou um dia de castigo a me ver. Falar comigo, então, nem pensar. E só falava a muito custo, se o pai ordenasse e Sheyla implorasse.

As artimanhas de Laurinha para me esnobar dão um pequeno conto infantil. Vão desde fingir que não me via durante um dia inteiro até se negar a almoçar na mesma mesa em que eu estava. O pano de fundo dessa implicância é o ciúmes que ela tem de Sheyla, pra ela a prima-tia mais querida de toda a face da terra.

Não me dei por vencido e aos poucos fui tentando vencer o muro que Laurinha criou. Arregimentei Sheyla, o pai dela, a minha sogra e quem mais pudesse me dar uma forcinha e fui à luta. O primeiro passo foi ignorá-la solenemente. Em vez de fazer festa, como no começo, parti para o não tô nem aí. Durou pouco tempo, mas acho que adiantou. Serviu para dar uma cutucada no ego dela.

Em seguida, fui me aproximando de leve, ainda sem muita conversa. Ela foi se acostumando com minha presença, baixando a guarda. Me dispus a ler alguns textos do livro de historinha dela, elogiei a bicicleta nova e fiz aquilo que todo adulto deve fazer para conquista uma criança: truques e mágicas. O carinho com que toda a família de Sheyla me recebe também contou muito. Laurinha deve ter pensado que se todos faziam festa pra mim é porque eu não devia ser tão ruim assim

Com o tempo, a aceitação em relação a mim melhorou muito. Já sorria pra mim, dizia oi, me emprestava uns lápis de cores e permitia pintar junto com ela e com Sheyla. Em algumas ocasiões, até aceitou me dar a mão e tirar uma foto comigo. Sem ranger de dentes e cara feia.

Mas eu sentia que ainda faltava algo. Nesse fim de semana, a rendenção ocorreu. Passei rapidinho na casa de Sheyla e na hora de ir embora Laurinha proferiu as palavras mágicas: "Tu vai embora?" e "Por que tu não fica mais um pouquinho?".

Tentando esconder um sorriso sem tamanho e a alegria por ter conquistado a sobrinha postiça que me faltava, disse que tinha que ir pra casa estudar. Fui embora satisfeito com a rendição dela, negociada sem chantagens emocionais, mas com muita leveza e carinho. Fim da batalha.



Escrito por f.benites às 16h53
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